A natureza e o homem
Os dias continuam escuros, como se o sol sofresse de alguma maleita, que o impedisse de criar o calor suficiente para ter a força necessária, de forma a ultrapassar a barreira de nuvens negras e enormes com formas ameaçadoras de quem vai querer devastar tudo por onde passar, fazendo-se ouvir de uma maneira intimidatória com o ribombar dos trovões que estremecem todos os vidro à sua volta, e os não menos tremendos relâmpagos que fazem da noite dia acompanhados de raios que electrificam todo o céu como se o tivessem a chicoteá-lo castigado-o com a sua raiva. A chuva não faz tréguas e continua na sua desenfreada luta para dilacerar a terra levando tudo à sua frente não deixando que alguém lhe possa fazer frente, numa atitude de força imparável, que só irá dar algum descanso depois da sua passagem. E o vento sentindo que a sua natureza ficaria diminuída com tão grande devastação dos seus pares, sopra como se os céus tivessem rebentado e vai derrubando tudo o que ainda se ia mantendo em pé.
As águas correr por todo o lado, alagando campos, tapando estradas, inundando ruas e casas, entrando por portas e saindo por janelas levando consigo todo o recheio dos seus interiores, fazendo com que os seus ocupantes tenham que subir para os telhados ou tentem agarrar algo que os impeçam de serem levados na fúria das torrentes de água, lama, pedras e paus, que por onde vão passando deixam as suas marcas de destruição.
As árvores são arrancadas dos solos onde criaram grossas raízes que agora parecem não ter nenhuma força para as suster de pé, e são arrastadas como se de folhas de papel se tratassem.
Os postos de electricidade são derrubados provocando alguns pequenos focos de incêndios e criando uma escuridão tremenda que vem agravar todos os esforços daqueles que ainda têm alguma força para tentar salvar os seus bens e famílias.
As ruas ficam cheias de água, lamas, amontoados de carros, sofás e electrodomésticos, tapando portas e janelas impedindo salvamentos e houvesse por todo o lado pedidos desesperados de ajuda, que na maior parte dos casos não são possíveis de terem sucesso.
E os homens ficam incapazes de lutar perante uma tão grande desigualdade, que é posta em toda a sua evidência na mais brutal demonstração de força da natureza.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
sábado, 21 de fevereiro de 2009
A história de uma vida
Palmira estava pensando, sentada junto da sua porta, enquanto ia fazendo umas meias de malha de lã preta das suas ovelhas. O que foi difícil a sua vida até aos seus oitenta e nove anos. Começou por ter de cuidar dos seus quatro irmãos, quando ainda só tinha sete anos, para os seus pais poderem ir trabalhar no campos, de onde tiravam o sustento para toda a família. Mais tarde já com dez anos começou também a acompanhar os pais na lida do campo. Não podendo ir para a escola, o que a fazia bastante infeliz, pois o seu maior desejo era aprender a ler e escrever. Com o objectivo de fugir daquela vida de trabalho aos dezasseis anos casou e ai arranjou trabalhos maiores. teve de continuar a trabalhar no campo ao lado do seu marido e começou a encher-se de filhos, era um por ano, e em poucos anos estava com dez filhos de roda dela, sete raparigas e três rapazes que a não deixa ficar parada um só minuto.
Palmira com trinta anos parecia já uma mulher de cinquenta, com tantos filhos que teve e sem cuidados médicos sua barriga ficou descaída suas costas já começavam a curvar pelo trabalho que tinha e sua cara mostravam bem todo o seu sacrifício estampado nas rugas que apresentava.
Enviuvou aos quarenta anos e seus trabalhos ainda ficaram redobrados, pois sozinha para criar todos aqueles filhos, tinha de trabalhar de dia e de noite. Os filhos assim que iam tento idade, começavam a sair de casa para arranjarem trabalho e se casarem.
Palmira aos cinquenta anos já não tinha nenhum filho em casa e já mal podia trabalhar, pois a sua dura vida foi lhe trazendo um rol de doenças que agora não a deixavam sossegar. A diabetes impedia de poder comer o que queria e o reumático dos frios que apanhou obrigavam-na a estar grande parte do dia sentada pois tinha grande dificuldade em se mexer. Mas estes males não a impediram de finalmente concretizar o seu grande sonho que era aprender a ler e escrever, que veio a conseguir com os seus cinquenta e três anos.
Sua vida agora com os oitenta e nove anos era sentada junto de sua porta para apanhar um pouco de sol e fazer um pouco de malha. Palmira apesar de uma vida de sacrifício não era capaz de se lastimar e dizia que tinha sido uma mulher feliz e que a maior felicidade que tinha era ver os seus dez filhos, cinquenta netos, cento e dez bisnetos e cinco trisnetos.
Palmira com trinta anos parecia já uma mulher de cinquenta, com tantos filhos que teve e sem cuidados médicos sua barriga ficou descaída suas costas já começavam a curvar pelo trabalho que tinha e sua cara mostravam bem todo o seu sacrifício estampado nas rugas que apresentava.
Enviuvou aos quarenta anos e seus trabalhos ainda ficaram redobrados, pois sozinha para criar todos aqueles filhos, tinha de trabalhar de dia e de noite. Os filhos assim que iam tento idade, começavam a sair de casa para arranjarem trabalho e se casarem.
Palmira aos cinquenta anos já não tinha nenhum filho em casa e já mal podia trabalhar, pois a sua dura vida foi lhe trazendo um rol de doenças que agora não a deixavam sossegar. A diabetes impedia de poder comer o que queria e o reumático dos frios que apanhou obrigavam-na a estar grande parte do dia sentada pois tinha grande dificuldade em se mexer. Mas estes males não a impediram de finalmente concretizar o seu grande sonho que era aprender a ler e escrever, que veio a conseguir com os seus cinquenta e três anos.
Sua vida agora com os oitenta e nove anos era sentada junto de sua porta para apanhar um pouco de sol e fazer um pouco de malha. Palmira apesar de uma vida de sacrifício não era capaz de se lastimar e dizia que tinha sido uma mulher feliz e que a maior felicidade que tinha era ver os seus dez filhos, cinquenta netos, cento e dez bisnetos e cinco trisnetos.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Um conto triste
Cada vez se estava a enterrar mais na lama pestilenta, no meio daqueles porcos todos, que se preparavam para a morder, vendo que esta já tinha perdido as forças para se defender de todos aqueles animais enloquecidos pela fome. Mas ainda teve um derradeiro laivo de força para conseguir chamar o seu companheiro de solidão, que mesmo sem acção varrado pela fome lá conseguiu ladrar e correr com os porcos de volta da sua amiga de sempre. Isa lá conseguiu levantar-se apoiando-se no lombo escanzelado do seu fiel amigo, as suas roupas todas rasgadas e molhadas estavam coladas ao corpo todo arrepiado devido a um brisa forte que se fazia sentir de noroeste. Isa caminhava lentemente para casa de cabeça pendida para a frente com os seus cabelos loiros todos esgranhados e sujos da lama do chiqueiro onde se deixou cair, a trás dela ia ficando um rasto de água lamacenta que escorria pelo seu corpo muito branco e magro. Sentou-se numa pedra junto à casa para descalçar as suas botas rotas de cabedal, que também estavam cheias de água, e que tiveram de ficar ao sol para poderem secar para que a Isa não tivesse de andar descalça pois era o único calçado que tinha. Foi obrigada a se despir ali para que suas roupas não infestassem a sua pequena divisão de quatro metros quadrados onde vivia com o seu cão. Correu descalça até um pequeno riacho onde lavou o seu desnudado corpo e as suas miseráveis roupas, voltou para casa para se limpar e deitar com o seu cão numa encherga tapada com uma manta toda rota.
Isa era uma criança de douze anos que servia um lavrador de muito mau génio e guardava os seus porcos, não tinha família, comia uma vez por dia e dividia a sua comida com o seu cão. Trabalhava todos os dias de manhã até à noite, saia logo cedo com os porcos e regressava à noite onde os guardava num chiqueiro imundo.
Tinha sido encontrada com poucos dias de vida pelo lavrador que a levou para casa e a criou sempre sem carinho e obrigando a triste criança a trabalhar assim que começou a andar. Não sabia ler nem nunca teve um brinquedo ou soube o que era brincar, o seu único amigo era o seu cão pinguinhas que tinha a sua idade e viveu sempre com ela.
Isa era uma criança de douze anos que servia um lavrador de muito mau génio e guardava os seus porcos, não tinha família, comia uma vez por dia e dividia a sua comida com o seu cão. Trabalhava todos os dias de manhã até à noite, saia logo cedo com os porcos e regressava à noite onde os guardava num chiqueiro imundo.
Tinha sido encontrada com poucos dias de vida pelo lavrador que a levou para casa e a criou sempre sem carinho e obrigando a triste criança a trabalhar assim que começou a andar. Não sabia ler nem nunca teve um brinquedo ou soube o que era brincar, o seu único amigo era o seu cão pinguinhas que tinha a sua idade e viveu sempre com ela.
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